DÓLMENS
01 - introdução

Por: Walter Jorge de O. Almeida

Como já informamos anteriormente nesse site, as Curiosidades existentes ao longo dos Caminhos que nos levam ao túmulo do Apóstolo Santiago em Compostela são inúmeras, acabamos de trazer para os nossos leitores a referente à “Estação Ferroviária Internacional de Canfranc”, em continuação, vamos abordar outra existente na Península Ibérica, principalmente na região norte da Espanha, essa curiosidade é denominada de “Dólmens”, no entanto, devido a sua magnitude e singularidade, achamos por bem tratar o referido assunto a parte, dando ao mesmo um titulo próprio, diferenciando-o de Curiosidade.

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UM POUCO DA SUA HISTÓRIA

Na pré-história, os grupos eram nômades e se deslocavam de acordo com a necessidade de obter os alimentos necessários para a sua sobrevivência. Durante o período neolítico essa situação sofreu várias mudanças, desenvolveram-se as primeiras formas de agricultura e conseqüentemente o grupo humano passou a se fixar por mais tempo em uma mesma região, mais ainda a utilizar-se de abrigos naturais ou fabricados com as fibras vegetais encontradas na época, ao mesmo tempo em que passaram a construir monumentos de pedras colossais, que serviam de câmara mortuária ou de templos. Raras eram às construções que serviam de habitação.

Essas pedras pesavam mais de três toneladas, fato que requeriam o trabalho de muitos homens e o conhecimento do uso da alavanca.

Esses monumentos de pedras foram denominados “megalíticos” e podem ser classificados de:

- Dólmens, galerias cobertas que possibilitavam o acesso a uma tumba;
- Menires, que são grandes pedras cravadas no chão de forma vertical e os;
- “Cromlech”, que são menires ou dólmens organizados em circulo. Sendo o mais famoso o de “Stonehenge” na Inglaterra.

As manifestações artísticas mais antigas foram encontradas na Europa, em especial na Península Ibérica, no sul da França e no sul da Itália e datam de aproximadamente 25.000 a.C., portanto, no período paleolítico. Na França encontramos o maior número de obras pré-históricas e até hoje em bom estado de conservação, como as cavernas de Altamira, Lascaux e Castilho.

DÓLMENS

Os Dólmens são monumentos druídico, megalíticos, tumulares, coletivos e são formados por uma grande pedra chata colocada sobre duas ou mais pedras verticais.

A cultura megalítica teve grande difusão nas zonas costeiras do Mediterrâneo e na Europa ocidental.

Os assentamentos mais antigos existente na Galícia são os do período paleolítico de Gándaras de Budiño, em Toén, na localidade de Porriño e situa-se entre os anos 26.000 e 18.000 a.C. Segundo a arqueóloga especialista na pré-história do Baixo Miño Rosa Villar, “É, ainda hoje, o maior deposito do Paleolítico Inferior na Galícia”. Uma das razões fundamentais da importância das Gándaras, é o fato da existência de provas sobre os primeiros povoamentos humanos na Galícia.

O componente étnico forma uma contribuição tanto de origem centro europeu como mediterrâneo, estabelecendo-se, no paleolítico e no mesolítico, em acampamentos ou em abrigos rochosos. Com a cultura megalítica, no terceiro milênio a.C., um grande número desses monumentos funerários, testemunha a importância concedida à morte por parte de uma sociedade escassamente hierarquizada e com uma base econômica pouco diversificada.

No século VI a.C. se inicia a cultura dos “Castros”, que eram recintos fortificados estabelecidos em lugares altos e estratégicos, estava na época de bronze Celta, contabilizando-se quase dois mil somente na Galícia.

Nesse período intensifica-se a cultura dos Castros que se desenvolveu nas mesetas e noroeste da Península Ibérica caracterizada por povoados fortificados. Eram muito desenvolvidos, no que se referia a metalurgia em bronze e ferro, assim como a cerâmica, uma derivação da “cultura dos Castros”, era a “cultura castreña”, situada no noroeste da península onde predominava as casas circulares construídas em pedras, oportunamente, em artigos separado trataremos sobre essa singular cultura “Castra”.

Os Dólmens provavelmente têm o seu nome derivado do Bretão dol = mesa e men = pedra. Também são conhecidos por antas, orcas, arcas, e, menos vulgarmente, por palas. Podemos encontrar designados por casas de mouros, fornos de mouros ou pias.

Em Portugal os dolmens são geralmente chamados de antas, são monumentos com expressão considerável em território português, existindo milhares de monumentos do gênero espalhados de Norte a Sul do país. As antas predominam nas regiões da Beira Alta, Alentejo e Norte de Portugal e o Conselho de Oliveira do Hospital é um dos que apresentam o maior número de vestígios dolménicos, contando com quatro destes monumentos.

Os Dólmens caracterizam-se por terem uma câmara de forma poligonal ou circular utilizada como espaço sepulcral. A câmara dolménica era construída com grandes pedras verticais que sustentam uma grande laje horizontal de cobertura. As grandes pedras em posição vertical, são denominadas de esteios ou ortóstatos, são em número variável entre seis e nove. A laje horizontal é designada de chapéu, mesa ou tampa. Existem câmaras dolménicas que chegam a ter a altura de seis metros. Quando a superfície da câmara dolménica não supera o metro quadrado, considera-se que é um monumento megalítico denominado cista.

Os Dólmens podem ser classificados em:

- Dólmens simples fechados: possuem a câmara dolménica fechada, não existindo nenhuma abertura, sendo necessária a remoção da tampa quando de um novo sepultamento;
- Dólmens simples aberto: possuem a câmara dolménica aberta na parte lateral da câmara, por uma abertura que pode assumir várias formas;
- Dólmens de corredor: possuem um corredor ou uma galeria de acesso à câmara formado por diversos esteios verticais, normalmente cobertos por lajes menores designados por tampas. Alguns corredores apresentam um pequeno átrio no lado oposto à câmara. O corredor pode ter variadíssimos tamanhos; conhece-se em Portugal antas com corredor de 16 m de comprimento.

No Brasil e mais precisamente na Bahia, existe um Dólmen na cidade de Paramirim a 15 km de Santana, conhecido como Pedra de Santana. O único Dólmen do país e, talvez de toda a America do Sul.
Ao que parece indicar, os Dólmens não eram somente construídos de pedras ciclópicas, os mesmos eram cobertos posteriormente ou durante a sua construção, de uma camada de terra com a finalidade de protegê-los.

Em continuação, iremos abordar como era efetuada essa cobertura que era denominada de “Mamoa”.

Aguardem.

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