DÓLMENS
02 – MAMOA

Por: Walter Jorge de O. Almeida

Em relato anterior abordamos a figura do Dólmen, um monumento druídico, megalítico, tumulare, construído há milhares de anos a.C., nesse artigo abordaremos sobre a construção de sua cobertura, onde alguns arqueólogos informam que foi a maneira pela qual eles conseguiram efetuar a movimentação das grandes pedras usadas na sua construção.

Vejamos.

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MAMOA

Ao que tudo indica, os Dólmens apresentavam outrora sempre encobertos por um montículo artificial de terra, geralmente revestidos por uma couraça de pequenas pedras imbricadas, formando aquilo que se designa por uma mamoa ou “tumulus”.

As mamoas ou “tumulus” apresentam geralmente uma forma oval ou circular. Eram edificadas com pedra e areia e tinham por finalidade proteger o dólmen, cobrindo-o completamente. Eram estruturas de tamanho variável, podendo atingir quarenta metros, que tapavam completamente a câmara e o corredor, quando este existia. As couraças de revestimento das mamoas construídas com terra, possivelmente ainda hoje seriam visíveis na altura da sua construção, por ficar mais ou menos revestidas por vegetação que cresciam algum tempo depois.

O nome mamoa origina-se dos romanos quando da sua chegada à Península Ibérica, que deram o nome de mammulas a estes monumentos, pela sua semelhança com o seio de uma mulher. Embora hoje sejam muito raras as mamoas que apresentam um volume hemisférico, devido aos agentes erosivos e às violações de que foram alvos, a sua forma seria em geral de uma calota esférica.

Cada mamoas (ou “tumulus”) teria a função de esconder e proteger a sepultura construída em pedras, conferindo-lhe, ao mesmo tempo, uma maior monumentalidade. É possível que tivesse também, em certos casos, fornecido um plano inclinado para o transporte da tampa da câmara do dólmen até a sua posição definitiva. Alguns arqueólogos acreditam que elas também poderiam ajudar na colocação dos esteios, dando uma segurança adicional durante a sua colocação, quando construída simultaneamente.

Se fossem apenas efetuadas de terra, as mamoas teriam sido facilmente desfeitas pela erosão expondo por sua vez, os túmulos aos agentes destruidores. Por essa razão, a terra era escorada com pedras formando uma couraça protetora na sua superfície bem como uma espécie de suporte de contenção que rodeia a mamoa na sua periferia. A técnica de construção das mamoas demonstra geralmente uma hábil solução arquitetônica efetuada para durar, sem usar argamassa. Encontram-se pedras especialmente preparadas pela natureza para melhor se inserirem nos espaços a serem preenchidos, quando não, essas pequenas pedras angulosas eram partidas intencionalmente, para reforçar a estrutura.

Em Portugal, as mamoas estão normalmente dispostas em grupos, ocupando zonas planas, normalmente planáltica, em regra geral, “pobres” para a agricultura, e à margem de caminhos atuais ou antigos. Nas chãs (zonas planálticas) da Serra da Aboboreira, em Baião já foram identificados mais de 4 dezenas de monumentos megalíticos, distribuídos em cerca de 12 grupos.

Alguns destes túmulos foram reutilizados mais tarde, na época romana, como posto de vigilância. Um exemplo dessa utilização pode-se encontrar no acampamento da cidade Sobrado. É de se lamentar a atitude do homem moderno perante essas antigas manifestações simbólico-religiosas dos nossos antepassados os quais não conseguiram mantê-los destruindo-os. Muitos deles foram destruídos em épocas recentes com o objetivo na procura da existência de um possível tesouro escondido, ou como conseqüência da atividade agrícola, abertura de estradas, estabelecimentos de indústrias etc. Outras são pessoas que não se satisfazem em olhar e fotografá-las, mas só estão satisfeitas quando levam pedaços de pedras para as suas casas como “suvenir”. Da sua grande maioria só existe a lembrança.

O Dólmen mais conhecido da humanidade é o situado nas planícies de Salisbury, próximo a Amesbury, no condado de Wiltshire, no sul da Inglaterra denominado de “Stonehenge”, do qual muitos pesquisadores e cientista informam que o mesmo era utilizado em pesquisas astronômicas e não como monumento funerário.

Em continuação vamos apresentar o Dólmen de “Stonehenge”, antes de abordarmos os existentes na Península Ibérica.

Aguardem.

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